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Escola de Gente

Comunicação em inclusão

Programas e Projetos

Ninguém Mais Vai Ser Bonzinho

Pela primeira vez no teatro brasileiro um espetáculo disponibiliza ao público, simultaneamente, diversos recursos de acessibilidade na comunicação. O texto da comédia, que tem tons de suspense na qual os(as) personagens se discriminam mutuamente sem perceber, foi livremente inspirado no livro Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva, de Claudia Werneck (WVA Editora, 1997).

Introdução

A peça Ninguém mais vai ser bonzinho, criada pela Escola de Gente, com o grupo Os Inclusos e os Sisos, veio sendo construída ao longo de todo o ano de 2007, tendo sua primeira apresentação em julho daquele ano, no Rio de Janeiro, com o patrocínio da Oi e apoio da Lei Rouanet (Lei Federal de Patrocínio à Cultura).

O grupo ofereceu ao público carioca com e sem deficiência o acesso ao lazer e à cultura de forma inédita: sessões com tradução para a Língua de Sinais Brasileira (Libras), audiodescrição, estenotipia computadorizada (closed caption) e programas em braile.

 

De autoria de Diego Molina – um dos Inclusos –, o texto teve supervisão do dramaturgo Bosco Brasil, a partir de 18 apresentações de Os Inclusos e os Sisos em escolas públicas e comunidades pelo Brasil.

 

A peça foi livremente inspirada no livro Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva (WVA Editora, 1997), de Claudia Werneck, jornalista e fundadora da Escola de Gente. Foi o primeiro a tratar da temática da sociedade inclusiva publicado no Brasil e tem o apoio conjunto da Unesco e do Unicef.
 

As apresentações de Os Inclusos e os Sisos contam com intérprete de Libras, medidas de acessibilidade, garantia de atendimento prioritário, preferencial e diferenciado a pessoas com deficiência, assentos reservados, visita guiada ao cenário, legendas, programa em braile e audiodescrição.

 

Sinopse

Quatro pessoas se conhecem num ônibus após um sequestro, entre elas, uma com síndrome de Down, que está fugindo de casa em busca de mais autonomia. Perdido, e sem qualquer perspectiva de ajuda, o grupo precisa encontrar uma maneira de sair da enrascada, sob o perigo iminente da volta dos bandidos. A peça traz uma reflexão importante sobre a superproteção da família em relação a adolescentes e jovens com síndrome de Down, com um texto que traduz o esforço de pessoas nascidas com essa condição genética para terem voz própria, serem ouvidas dentro de suas casas, por suas famílias, ao expressarem suas ideias e desejos.
 

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Justificativa

Sem acessibilidade na comunicação, não há acesso nem fruição da cultura; não há intercâmbio de saberes, percepções, formulações que impactem e incidam na construção de um país culturalmente democrático. A acessibilidade, mais do que garantir direitos, fortalece nosso percurso e as chances de nos relacionarmos com a cultura e com o mundo – de dentro e de fora. Incluir é humanizar caminhos, como está expresso no livro Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva, que inspirou a peça.
 

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Objetivos Gerais

Sair do discurso e encontrar soluções inovadoras para problemas antigos, como o da dificuldade de acesso à cultura por parte de pessoas com deficiência.

Fomentar na classe teatral brasileira a perspectiva de que a inclusão traz uma nova estética cultural à qual devemos nos render pela sua contemporaneidade.

Promover o diálogo entre as áreas social e cultural, como força propulsora de mudanças de mentalidade em favor de uma sociedade inclusiva.
 

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Metodologia

Durante meses de ensaio e pesquisa para criar o espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho, o grupo desenvolveu um longo percurso artístico, buscando temas, inventando situações, criando personagens, improvisando, filmando, escrevendo, modificando, para chegar a um espetáculo “inteiro”, com unidade, com um fio condutor que possibilitasse aos atores e às atrizes se dedicarem aos conflitos de um(a) só personagem.

A peça foi construída a partir de vivências do grupo na área social. O espetáculo foi concebido ao
longo do ano de 2007, em 18 apresentações de Os Inclusos e os Sisos em escolas, teatros, projetos sociais, audiências e eventos públicos nas cidades do Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte, mobilizando o Legislativo, o governo, os movimentos populares, a mídia, os(as) empresários(as) e as organizações da sociedade civil locais, entre outros(as) formadores(as) de opinião.
 

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Monitoramento e Avaliação

A peça Ninguém mais vai ser bonzinho, em especial, chamou a atenção da classe artística e da plateia por tratar da temática da inclusão de forma coerente, isto é, incluindo, de fato, todos os públicos, ao disponibilizar, de forma inédita, diversos recursos de acessibilidade a um só tempo. Por essa iniciativa, a Escola de Gente recebeu inúmeros telefonemas de aprovação, além de ter conquistado excepcional espaço e atenção da mídia, o que levou outros grupos de teatro a conhecerem e se interessarem pelo trabalho.

A decisão da Escola de Gente de reunir oferta de audiodescrição, legenda, intérprete da Língua de sinais brasileira e programas em braile para o público em teatro acessível – o do Centro Cultural Oi Futuro e, em um segundo momento, o Solar de Botafogo, ambos no Rio de Janeiro –, gerou imensa expectativa, também nos(as) profissionais especializados(as) em cada acessibilidade e que nunca haviam atuado juntos(as). O ensaio geral, dias antes, deu às pessoas envolvidas a dimensão do significado histórico do que realizavam naquele momento.

É possível constatar o retorno positivo da iniciativa, a partir do depoimento de Ethel Rosenfeld, professora especializada e consultora em deficiência visual:

Foi muito gratificante assistir ao espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho. Como cega, nunca fui a um teatro sozinha. Hoje, pela primeira vez, tive a oportunidade de assistir a uma peça, como qualquer pessoa. Com essa maravilha que é a audiodescrição, pude acessar a informação do todo, “ver” o cenário, as roupas dos artistas, as cores, as expressões, tudo, tudo, foi completo.  (...) Não tenho como descrever o quanto é importante para nós, pessoas com deficiência, estarmos juntas na plateia com outras pessoas, em igualdade de condições e com toda a acessibilidade. (...) Desejo que a Escola de Gente consiga expandir esse tipo de ação para vários teatros, shows e espetáculos, para que nós possamos sempre escolher aonde ir, sem esperar que exista uma única noite, um único lugar (...).

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Patrocinadores
  • OI

    OI

  • MRS Logística

    MRS LOGÍSTICA

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Parceiros
  • Avina

    FUNDAÇÃO AVINA

  • Red Latinoamericana de arte para la Transformacion Social - Rayts

    RED LATINOAMERICANA DE ARTE PARA LA TRANSFORMACION SOCIAL

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Resultados e Impactos

O ano de 2007 encerrou-se contabilizando duas temporadas do espetáculo; no Oi futuro e no Solar de Botafogo. Com o patrocínio da Oi e depois da MRS, o espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho voltou aos palcos em 2009. O grupo se apresentou em escolas, comunidades e teatro, com a proposta de fazer arte pensando na transformação social. Foram realizadas apresentações na Bahia, Distrito Federal, Paraná e Pernambuco, seguindo para São Paulo e Minas Gerais. A dificuldade é encontrar teatros e escolas com acessibilidade.

A circulação de Ninguém mais vai ser bonzinho começou no dia 16 de maio com apresentação na sede do Movimento AfroReggae, no Cantagalo, Rio de Janeiro. Após a peça, a Escola de Gente assinou uma carta aderindo formalmente ao movimento Acessibilidade Já, ratificando o papel da organização e do grupo como reivindicadores de políticas públicas inclusivas.

A campanha Acessibilidade Já vinha sendo promovida pelo Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), com apoio da Coordenadoria Nacional para a Integração das Pessoas com Deficiência (Corde), da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

De maio a julho de 2009, na primeira etapa de circulação do espetáculo, mais de 5 mil pessoas, a maioria adolescentes e jovens vivendo em área de pobreza, entre eles(as) estudantes de 36 escolas públicas, assistiram às apresentações gratuitas em quatro cidades do Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

A circulação do espetáculo continuou em 2009, em uma segunda etapa, graças ao patrocínio da MRS Logística. Em junho, o grupo fez duas apresentações na 41ª edição do Festival Internacional de Teatro de Londrina (FILO). A escolha de Os Inclusos e os Sisos para se apresentar no FILO 2009 – que contou com mais de 480 inscrições só no Brasil – abriu caminho para que a classe artística brasileira conhecesse e incorporasse a reflexão e a prática de um teatro inclusivo.

Por iniciativa do próprio Festival, foi organizado, durante a programação, um debate de cinco horas com a participação da médica Nitis Jacon, fundadora do FILO, e da jornalista Claudia Werneck – além de mais convidados(as) – sobre o tema da acessibilidade para a democratização da cultura. Ao final, com a participação da Escola de Gente, foi redigida e assinada a Carta do FILO, que serviu como importante documento da iniciativa e vem percorrendo o Brasil.

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Fotos do Projeto
  • Estréia no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro, o espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho, do grupo
Os Inclusos e os Sisos - Teatro de Mobilização pela Diversidade

    Estréia no Centro Cultural Oi da peça Ninguém mais vai ser Bonzinho

  • Todas as apresentações do grupo contam a tradução para Libras - Língua de Sinais Brasileira

    Todas as apresentações do grupo contam a tradução para Libras - Língua de Sinais Brasileira

  • Espectadores acompanham a apresentação do espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho com diversas acessibilidades para pessoas com deficiência.

    Espectadores acompanham a apresentação do espetáculo Ninguém mais vai ser bonzinho com diversas acessibilidades para pessoas com deficiência

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